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A oitava edição da Campus Party Brasil, o maior evento de tecnologia do País, foi além do universo geek. Mais do que computadores, simuladores e games, o evento, que aconteceu entre os dias 3 e 8 de fevereiro em São Paulo, também teve um viés ligado ao mundo da literatura e do empreendedorismo.

O evento homenageou o aniversário de 150 anos da obra ‘Da Terra à Lua’, de Júlio Verne. Os principais palcos de palestra levavam o nome do nosso planeta e seu satélite; os outros tinham os nomes de outros planetas do Sistema Solar. E foi no palco Terra que dois mestres do empreendedorismo – e autores de livros – fizeram suas apresentações. Chris Anderson, autor de ‘A Cauda Longa’, e Bel Pesce, de ‘A Menina do Vale’, falaram sobre mercados de nicho e a importância de não desistir dos seus sonhos. A seguir, apresentamos as principais lições das obras de cada um deles.

Internet: um mercado para todos
O conceito de “cauda longa” já existia, aplicado à estatística, mas foi com o artigo escrito por Chris Anderson em 2004, quanto trabalhava na revista americana Wired, que a ideia se espalhou e ganhou o significado que conhecemos hoje. A ideia é a seguinte: com a internet, se tornou possível que o varejo venda tanto seus produtos mais populares em grande quantidade quanto produtos específicos para mercados de nicho.
Essa ideia fez brilhar os olhos dos participantes da Campus Party, ou campuseiros como são chamados. Em sua palestra no palco Terra, Anderson ressaltou a importância de visualizar diferentes mercados e que há público para todo tipo de produtos. Os “hits” sempre vão vender, mas é possível identificar potenciais consumidores espalhados pela rede e, assim, saber se sua ideia vale o investimento.

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Do tamanho dos seus sonhos
Quem vê Bel Pesce hoje pode achar que ela não tem medo de nada. A jovem empreendedora, que estudou no famoso Massachusetts Institute of Technology (MIT) e trabalhou em empresas como Google e Microsoft, não teve medo de apostar nos seus sonhos. Foi sobre isso que falou para um grande grupo de campuseiros na noite de seis de fevereiro.
Em seu primeiro livro, ‘A Menina do Vale’, Bel dedica um capítulo a sobre como persistir naquilo que você deseja fazer. Para ela, errar faz parte da vida e, contanto que você tenha dado o seu melhor, o erro não deve ser encarado como um fracasso, mas sim como um aprendizado. “Para seguir suas paixões, você terá de ser muito determinado a tentar o seu melhor. Às vezes, porém, mesmo isso pode não ser o suficiente. Não há problemas, contato que você possa aprender e continuar evoluindo. O maior erro de todos é acomodar-se e não correr riscos”, revela Bel em seu livro.

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Entrevista: João Pedro Sffair
O sócio-fundador da BSMotion, empresa de simuladores que deu seu pontapé inicial na Campus Party, fala sobre o surgimento da marca e a importância de eventos como esse para expor seus trabalhos

A BSMotion surgiu na Campus Party de 2011, certo?
Na verdade a gente já estava trabalhando em uma máquina; eu estava me formando na faculdade e meu irmão (Gabriel Sffair) começou a fazer um simulador baseado em um projeto grego, feito de tubos de PVC e sucata. Ele me pediu para ajudar a fazer e o projeto acabou se tornando meu trabalho de conclusão de curso da faculdade. O simulador teve uma repercussão legal e então resolvemos fazer um novo, baseado no primeiro só que com a melhoria de alguns problemas, além de permitir o giro de 360 graus. Começamos a desenvolver esse projeto e nesse meio tempo o pessoal da Campus Party entrou em contato, nos convidando para trazer o primeiro simulador para o evento. Sugerimos trazer o novo e eles aceitaram. Como o público recebeu super bem, tivemos a ideia de realmente abrir uma empresa, começar a fabricar simuladores e ganhar dinheiro com isso. Então a ideia não surgiu na Campus: a gente já veio com o simulador pronto, mas se deu conta que podia ser um bom negócio aqui, que tinha mercado. Começamos a pensar mais como empresa e menos como um hobby.

A Campus Party ajudou você a ter um pensamento mais empreendedor?
No nosso caso foi diferente do que está acontecendo hoje. Nós não viemos como campuseiros; a gente veio para trabalhar, já expor o nosso simulador durante oito horas e depois aproveitar o que desse do evento. Acaba não dando tempo de ver muitas palestras, mas com certeza a Campus foi o grande motivador da empresa. Foi por causa dela que a gente viu que tinha potencial.

Como é o trabalho da empresa hoje? Vocês têm clientes fixos ou são trabalhos esporádicos?
Somos três engenheiros, então nossa parte comercial não é muito boa (risos). Nós fazemos máquinas boas, confiáveis, de boa qualidade, mas transformar isso em vendas é mais complicado. Nós três temos empregos além da BSMotion; é como se fosse um segundo emprego ou quase um hobby. Trabalhamos fora do horário comercial, de noite, aos finais de semana… Mas nós já participamos de eventos em parques e até vendemos um simulador para a Força Aérea Colombiana para treinamento de pilotos. Eu viajei para Barranquilla, onde fica a principal base aérea, para instalar o simulador, e ele está sendo usado por pilotos reais, que eventualmente irão para a guerra pilotando aviões caça. Ninguém nunca nos procurou para ter um simulador em casa, mas se quiserem a gente faz também!

Como surgiu essa parceria com a Força Aérea Colombiana?
Não foi bem uma parceria, eles simplesmente compraram um simulador. Devem ter nos encontrado pelo Google mesmo, não houve um contato prévio. É um simulador que tem dois eixos de liberdade que giram 360 graus. É um projeto relativamente famoso nosso, porque é um modelo compacto que consegue fazer isso, já que em geral esse tipo de simulador é enorme, do tamanho de uma sala. Eles usam para testar a resistência dos pilotos; é muito melhor e mais barato ver em um simulador se o piloto fica bem ao virar de cabeça para baixo do que mandar ele em um avião.

O público da Campus Party curtiu seus novos simuladores?
Toda Campus a gente traz um simulador novo, e dessa vez é o primeiro para o qual também desenvolvemos o jogo junto. Os dois surgiram juntos: o simulador é feito para o jogo e vice versa, é um jogo inédito. O pessoal gostou bastante porque é uma experiência bem diferente.

Jojo Moyes é uma mulher normal. É casada, tem filhos, trabalha. A diferença é que seu trabalho é lido e reconhecido por leitores apaixonados espalhados por todo o planeta. A autora de best sellers como “A Última Carta de Amor” e “Como Eu Era Antes de Você” se prepara para lançar seu mais novo livro no Brasil, “Um Mais Um”. Em entrevista, Jojo fala sobre seu processo criativo, seu trabalho anterior como jornalista e muito mais!


Você trabalhou como jornalista antes de se tornar escritora. O que fez você mudar de profissão?

Eu sempre escrevi histórias. Lembro de quando era criança e enchia os cadernos da escola com longas e intermináveis histórias sobre heroínas e seus pôneis telepáticos! Mas foi quando eu já trabalhava como jornalista que eu decidi tentar realmente escrever um livro. E eu escrevi três antes de conseguir publicar o primeiro.

Sua experiência como jornalista ajudou na elaboração dos seus livros?

Eu acredito que ser jornalista ensina a você algumas coisas. Ensina, por exemplo, a escutar – uma habilidade muito importante. Também te ensina a ver histórias em qualquer lugar: nos casos que as pessoas contam, nas cortinas fechadas de uma casa do outro lado da rua, na bicicleta estacionada que ninguém vem buscar… E o jornalismo também te ensina a trabalhar com prazos. Editores gostam de ex-jornalistas porque eles sabem que levamos prazos muito a sério – o que nem sempre acontece no mundo editorial!

Como foi para você lançar seu primeiro livro, “A Última Carta de Amor”, e ter tamanho retorno do público?

Ver seu primeiro livro ser impresso é uma experiência incrível, especialmente depois de esperar por tanto tempo, como eu esperei. E receber uma resposta tão boa dos leitores também é incrível. É encantador quando seus personagens ganham vida na cabeça de outras pessoas.

No Brasil seus livros venderam mais de 200.000 cópias. Você tem contato com os leitores brasileiros?

É maravilhoso! Sim, eu converso com os leitores do Brasil via Twitter e Facebook. Eu tento responder todo mundo que consigo. Os brasileiros são leitores muito apaixonados – e eu amo a maneira como eles me escrevem, sempre assinando suas mensagens com “beijos!”.

Você tem planos de visitar o Brasil em breve?

Eu adoraria visitar o Brasil um dia. Já escutei tantas coisas boas sobre o País, especialmente de outros amigos escritores.

Seu livro mais recente, “Um Mais Um”, foi lançado no Brasil em fevereiro. Como foi o processo de escrita?

Cada livro tem um processo de escrita bem diferente do outro. Eu já escrevi 12, eu acho, e todas as vezes que eu me sento pela primeira vez para escrever um novo penso “como foi que eu consegui fazer isso antes?”.

Qual o diferencial de “Um Mais Um” em relação aos seus outros livros?

Livros são como crianças – você tem uma ideia de como gostaria que eles fossem, e você faz de tudo para que isso aconteça, mas eles vão tomando forma própria. Não tem muito o que você possa fazer sobre isso. Então cada livro acaba se tornando único.

Suas histórias falam sobre o cotidiano, o dia-a-dia. Onde você busca inspiração? Sua própria vida a inspira?

Eu vejo inspiração em qualquer lugar: nas conversas das mulheres no supermercado, em artigos de jornal, em músicas… Eu acho que temos que aprender a ser mais abertos para ver essas coisas – normalmente estamos tão ocupados pensando sobre o que nós achamos e o que nós queremos dizer que não olhamos ao nosso redor, pelo menos não o suficiente.

Em Março celebramos o Mês da Mulher. E você é uma verdadeira supermulher: escritora, esposa e mãe. Como você concilia todas essas funções?

Não é tão fácil! Quando estou escrevendo me sinto culpada por não estar dando atenção para os meus filhos. Quando estou com as crianças parte do meu cérebro me cobra que eu poderia estar escrevendo. Tenho sorte que meu marido é um homem muito paciente, então ele sabe como eu sou. Basicamente sou como qualquer outra mãe que trabalha – mas com o privilégio de fazer um trabalho que amo.

Você acredita que existem diferenças entre mulheres e homens no mundo literário?

Esta é uma pergunta interessante. Tenho pouco conhecimento sobre como as coisas são no Brasil, mas aqui no Reino Unido temos um grande debate sobre o quanto a ficção escrita por mulheres é levada a sério em comparação ao que é escrito por homens. Eu costumava ficar mais triste com isso, mas desde que o número dos meus leitores alcançou a marca de milhões fiquei feliz que as pessoas gostam dos meus livros. O sucesso de uma publicação não depende do que os críticos de jornais dizem, e sim do que os leitores dizem para os outros leitores. Essa, em minha opinião, é a melhor crítica.

Quais são suas autoras favoritas?

Nossa, isso muda toda semana! Eu amo várias autoras, e autoras bem diferentes – de Kate Atkinson a Nora Ephron. Liane Moriarty é uma nova favorita minha: gosto das suas personagens femininas fortes e de seus enredos complexos.

O que você diria para alguém que quer se tornar escritor?

Comece a escrever! Não espere pela hora certa (não existe hora certa) e também não espere permissão de nada nem de ninguém. Simplesmente se comprometa a escrever 500 palavras por dia e faça isso. Quando eu não tinha tempo, programava meu despertador para uma hora antes e escrevia na cama, antes dos meus filhos acordarem. Agora eu escrevo sempre que posso: entre um compromisso e outro, no trem, enquanto almoço… Nem todas as mulheres podem se dar ao luxo de um escritório silencioso 24 horas por dia!

Quais são os seus projetos para o futuro? Algum livro novo a caminho?

No momento estou me dedicando a adaptação de “Como Eu Era Antes de Você” para o cinema, e também estou trabalhando no roteiro da versão em filme de “Um Mais Um”. E, claro, estou escrevendo meu próximo livro, mas ainda não posso falar nada sobre ele…!

Quer deixar uma mensagem aos seus leitores do Brasil?

Obrigada a todos os meus fãs brasileiros. Estou muito feliz que vocês gostam dos meus livros!

Texto e entrevista: Carolina Porne
Matéria publicada originalmente na revista #UniversoFnac, distribuida gratuitamente em todas as lojas

Dona de uma voz poderosa e presença marcante, Cássia Eller (1962-2001) é a nossa homenageada no mês das mulheres. Além de ser uma artista autêntica, Cássia era uma mulher com um coração enorme: fiel aos amigos e parceiros musicais, companheira amorosa e mãe dedicada.

Mesmo com pouco material para pesquisa, dois projetos deste ano reforçam a intensidade e multiplicidade da pessoa Cássia Eller: o documentário “Cássia Eller – o Filme” e o álbum de inéditas “Espírito do Som – Segredo Vol.1″ (Coqueiro Verde).

O diretor do documentário, Paulo Henrique Fontenelle, teve como principal foco mostrar a Cássia em toda sua intimidade, dentro e fora do palco. Já o álbum de inéditas reúne gravações de uma fita cassete de quando Cássia tinha 20 anos e morava em Brasília. O repertório é extremamente refinado. Há canções dos Beatles, Billie Holiday, Luis Melodia, entre outros artistas, todas gravadas de uma forma despretensiosa e intimista, somente voz, violão e muito talento. Rodrigo Garcia, grande amigo e parceiro musical de Cássia, é o responsável por esse projeto, com apoio de Maria Eugênia e Chico – companheira e filho de Cássia.

Os dois projetos destacam e revelam a intimidade de uma mulher sensível e guerreira, a doce irreverência própria de uma artista que sempre estará presente na música brasileira e será inesquecível para aqueles que tiveram a oportunidade de ter sua amizade e parceria.

CÁSSIA ELLLER – O FILME

Como surgiu a ideia de fazer um filme sobre a Cássia?
Paulo Fontenelle:
Surgiu da necessidade que vi de resgatar a trajetória dessa artista que nunca teve sua história devidamente registrada. Ela sempre foi vista de forma reduzida, apenas como a roqueira rebelde. Esses estigmas só aumentaram depois da sua morte. Eu queria apresentar um outro lado dessa historia e mostrar todas as faces da Cássia. Não apenas a grande artista,mas também a mãe, a companheira, a filha e a mulher que sem falar muito quebrou barreiras importantes e fez o nosso país avançar enquanto sociedade.

Você já tinha intimidade com o universo e música da artista?
Cresci nos anos 1990 e a música dela foi muito forte nesse período. Sempre acompanhei a carreira dela e fui a alguns poucos shows, mas não a conheci em vida. Minha relação era apenas de admirador da arte dela. Fazendo o filme, conheci o outro lado da Cássia que é tão fantástico quanto ao da artista.

Há pouco material de pesquisa sobre a Cássia. Como fez a pesquisa?
Procurei tudo o que tinha dela. Percorri todas as estações de TV, amigos que tivessem vídeos, assisti a várias reportagens e conversei com pessoas que conviveram com ela em todas as fases de sua vida. Foi um trabalho de quatro anos de pesquisa. Através das entrevistas, eu ia conhecendo um pouco mais da Cássia e de seu universo.

Como foi a participação de Maria Eugênia e Chico no projeto?
Eles foram pessoas fantásticas durante todo o processo do filme. Eugênia deu carta branca, falando sobre todos os assuntos. Ela só viu o filme depois de pronto, mas sempre ajudou com informações, cedendo imagens caseiras, fotos e histórias. E o Chicão é fantástico, sempre curioso em conhecer novas historias sobre a mãe dele. Ele nos acompanhou em algumas entrevistas. Foi uma relação de muita confiança, respeito e amizade.

O que mais te surpreendeu nos depoimentos?
Achei muito comovente a maneira que todos os entrevistados falaram da Cássia sempre com muito carinho, saudades e no presente, como se ela ainda fizesse parte da vida de cada um deles. Isso demonstra o quão marcante era a personalidade dela e de como a sua simplicidade, sinceridade e ternura modificaram a vida de cada um que passou pelo seu caminho.

E na personalidade da Cássia?
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o amor que a Cássia tinha pelo ato de cantar. Tudo que ela queria era estar no palco fazendo a sua arte e emocionando pessoas, independentemente se o público era de 20 espectadores ou 100 mil. Uma das histórias que mais me encantou foi saber que no auge do sucesso ela fugia do empresário e dava shows surpresas em clubes ou barzinhos no interior do Rio de Janeiro praticamente de graça. Ela não ligava para o dinheiro, para a fama ou para o estrelato. Tudo que ela queria era cantar e emocionar quem estivesse ali para ouvi-la.

Os depoimentos de Nando Reis revelam o extremo amor e parceria que os dois tinham. Qual foi a importância dessa parceria na vida artística de Cássia?
Acho que o encontro da Cássia com o Nando Reis foi fundamental para a carreira dela. Foi numa época que ela resolveu suavizar seu repertório e encontrou no Nando um compositor perfeito para seu estilo de cantar, além de um grande amigo e produtor. A partir desse encontro, a carreira da Cássia deu uma guinada com os elogiados discos Com Você Meu Mundo Ficaria Completo e Acústico MTV, ambos produzidos por ele e que possuem varias músicas de sua autoria que se tornaram grandes sucessos na voz de Cássia, como Relicário, Segundo Sol e As Coisas Mais Lindas.

Mostrar a Cássia dentro e fora do palco foi uma escolha desde o começo do projeto?
Sim. Desde o começo a intenção era mostrar essa dualidade. A Cássia era um furacão no palco, mas eu já sabia do seu jeito tímido e doce fora dele. Fazendo as pesquisas e filmando as entrevistas eu ia me surpreendendo cada vez mais com a sua ternura, a sua irreverência e o seu jeito simples de encarar a vida.

Você se surpreendeu ao conhecer melhor a Cássia Eller “mãe”?
Eu já imaginava que ela tinha sido uma mãe dedicada e amorosa, mas vendo os vídeos caseiros, ouvindo as histórias e conhecendo o Chicão, me emociona ver o tamanho do amor que ela tinha pelo filho e pela Eugênia. Acho que o filme é acima de tudo uma bela história de amor e afeto.

Um ponto forte do documentário é ressaltar a real causa da morte de Cássia. Conte um pouco como foi a conversa com os amigos e familiares sobre esse assunto.
Isso era uma grande preocupação minha desde o começo. Lembro que na época de sua morte me chamou a atenção a falta de respeito com que certos veículos trataram do assunto. Até hoje, encontro pessoas que acreditam na versão equivocada que se massificou na época de que a Cássia teria morrido de overdose. Conversando com os amigos, familiares e pessoas que trabalhavam com ela, pude compreender o período difícil que ela vivia e os problemas de saúde que tinha e que culminaram na sua morte. Acho que o filme foi uma oportunidade de passar essa história a limpo.

Ficou feliz com o resultado do projeto?
Sim, não podia ser melhor. O filme vem emocionando todo mundo que tem visto. É muito comovente ver as pessoas cantando no cinema, matando a saudade da artista, se emocionando e conhecendo uma nova Cássia que vai muito alem da imagem que tinha ficado até então. Acho que é um filme que faz justiça à memória dessa grande artista e dessa grande mulher.

O ESPIRITO DO SOM

Como surgiu a ideia de fazer esse projeto com registros inéditos da Cássia Eller?
Rodrigo Garcia: Ouço essa reunião de raridades de sons da Cássia com o Chicão há anos. A gente recebe muitas gravações caseiras e vai guardando. Até que um dia apareceram duas músicas compostas pela Cássia, de quando ela tinha 19 anos, em Brasília – Flor do Sol e Retratos no Papel, em parceria com a Simone Saback. Ambas tiveram muita repercussão na mídia. Flor do Sol foi a primeira produção oficial do Porangareté. Resolvemos pegar a gravação original da Cássia e convidar músicos atuais e alguns parceiros da banda dela, como a Lan Lan (percussionista) e o Waltinho (Walter Villaça, guitarrista).
Nessa busca por canções da Cássia em Brasília, fui ficando amigo de pessoas que conviveram com ela e consegui resgatar um pouco da história de uma época que ficou esquecida na vida da Cássia. A Elisa de Alencar foi namorada dela nessa época e foi muito importante artisticamente em sua carreira. Nesse momento, a Cássia estava num imersão artística muito forte e resolveu gravar uma fita cassete para o irmão da Elisa, que morava na Paraíba. Há dois anos ele achou a fita e a devolveu para a Elisa. Depois de um trabalho de tirar o mofo da fita, foi possível ouvir as 20 músicas. Entre alguns ensaios, musicais teatrais, havia várias canções que era somente voz e violão. Quando eu ouvi essas canções, já visualizei esse projeto e percebi que tinha um álbum praticamente pronto lá. São 10 músicas e todas são inéditas. Eu restaurei o som, sem fazer grandes modificações, o chiado faz parte da audição. Esse projeto é um trabalho raro, para colecionador. Quando mostrei para a Eugênia, ela achou o projeto maravilhoso. Esse será o primeiro volume – intitulado Segredo – do projeto Espírito dos Sons, que ao todo terá três volumes. Nossa intenção era lançar o projeto de uma forma um pouco mais independente, por isso procuramos uma gravadora menor e encontramos a CoqueiroVerde. A ideia também será fazer o lançamento em vinil.

A Cássia nunca pensou em registrar esse material?
Não, ela só gravou mesmo para presentear o irmão de sua namorada. Por isso que tem outro sabor e é tão precioso. A pesquisa dela era muito refinada, as gravações têm Beatles, Billie Holiday, Luis Melodia, etc. E já nesse momento há muita personalidade em sua voz, o que mostra o contrário de ser uma cantora que “berra” – como comentaram em seus primeiros álbuns.

Pode-se considerar esse trabalho como o primeiro álbum de Cássia?
Sim, de uma maneira artística e romântica. Esse disco foi gravado oito ano antes de seu primeiro álbum, lançado em 1990.

Por serem gravações mais intimistas, esse trabalho vai revelar mais a plenitude da grande artista que era a Cássia?
Acredito que sim. Ao mesmo tempo em que as gravações são antigas e “imaturas”, é extremamente expressivo. Ela tinha somente 20 anos.

Conte um pouco sobre como era sua relação com a Cássia.
Eu conheci a Cássia em 1992. Ela estava no começo da turnê do segundo disco (O Marginal). Ainda não era músico, mas a gente já ficou amigo. Fui tocar com ela em 1997 no álbum Veneno AntiMonotonia. Esse encontro se mistura um pouco com a história de São Pedro da Serra. Eu mudei para lá e a Cássia, Maria Eugênia, Alex Merlino (baterista), entre outros amigos, me visitam bastante. E lá acabamos fazendo vários shows “piratas”. Atualmente, São Pedro é a sede do selo Porangareté que pertence a mim, Maria Eugênia e Chicão. Eu sou o representante do acervo musical da Cássia e faço a curadoria de todos os projetos que a envolvem. Faz uns dois anos que o Chicão começou a frequentar bastante São Pedro e vem fazendo umas gravações caseiras – que sempre foi meu estilo. Ele vinha muito pequeno com a Cássia e somente com uns 14, 15 anos voltou a frequentar. Estamos em produção do seu primeiro álbum – o 2X0 Vargem Alta – sem data prevista de lançamento.

O que mais te surpreendia na personalidade de Cássia?
Ela era um coração musical gigante. Uma pessoa muito bonita e tinha uma energia de vibração que contagiava muito as pessoas. E no palco era aquilo, um furacão. E, ao mesmo tempo, uma pessoa muito simples. Não fazia questão de nenhuma de ter um tratamento especial ou diferenciado nos shows, camarins. Também tinha o dom de misturar todo mundo, motorista, músico, segurança… Eu nunca mais toquei com outro artista.

Texto e entrevistas: Beatriz Saghaard
Matéria publicada originalmente na revista Universo Fnac, disponível gratuitamente em todas as lojas

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A tecnologia e a moda estão tendo conversas bem íntimas nos últimos anos. Por um lado acessórios tecnológicos ganham cada vez mais apelo fashion, como os fones de ouvido. De outro, temos o surgimento de novos aparelhos, como os smartwatches, ou relógios inteligentes. Conversamos com Luiza McAllister e Tamirys Seno, do site Garotas Geeks, que contam tudo o que as mulheres antenadas precisam saber sobre estes gadgets incríveis.

Vocês acreditam que os gadgets tecnológicos estão se aproximando cada vez mais da moda?
Tamirys: Sim, sem dúvida. As edições coloridas do Moto G (assim como a linha do iPhone 5C, com diversas cores e cases) influenciam a escolha dos consumidores de acordo com suas preferências de cor e estilo. Grande parte do público gosta de ter um smartphone com o qual se identifique visualmente.

Entre os gadgets, os fones de ouvido conquistaram um grande apelo fashion nos últimos anos. Isso também se reflete em melhor desempenho? O que vocês acreditam que virá de inovação neste segmento no futuro?
Luiza: Fiquei super chocada de ver as pessoas usando os Beats by Dre nas ruas quando a maioria acreditava que “fones grandes” eram bregas e antipráticos, mas a marca conseguiu transformar em um acessório super desejado por todos. É um passo importante para outras marcas pensarem mais no design dos seus produtos, e acredito que veremos mais acessórios bonitos e com qualidade!
Tamirys: A Skullcandy é outra empresa que sempre investiu em estilo e cores na hora de produzir fones de ouvido, sem esquecer de uma ótima qualidade de som e desempenho. Outras empresas estão começando a investir na área agora, e já temos outras marcas se consolidando e apostando em novos designs e estilos para o público. Acredito que o segmento só tenha a melhorar no futuro e quem tem a ganhar somos nós, consumidores.

O grande lançamento gadget-fashion do momento são os relógios inteligentes. O que acharam dos modelos lançados? Vocês acham que essa moda vai pegar?
Tamirys: Os modelos lançados são bem interessantes, entretanto, ainda achamos difícil a moda pegar (pelo menos aqui no Brasil). O preço ainda é bem salgado e com um valor semelhante é possível comprar um smartphone com mais funções do que os relógios inteligentes. Acredito que o público ficará um pouco indeciso por conta dessa questão de preço.
Luiza: Acho que se conseguirem diminuir o tamanho desses relógios certeza que a moda pega! Algumas pessoas também estão com o pé atrás pela sua dimensão, principalmente as garotas que tem pulsos mais fininhos…

O quanto vocês acreditam que as redes sociais influenciam nesta busca por aparelhos esteticamente mais bonitos?
Tamirys: Muito! Tanto o Facebook quanto o Instagram são redes onde os usuários postam fotos de si mesmos com muita frequência. Um aparelho bonito na hora de tirar uma foto do look do dia no espelho, ou uma selfie com os amigos tem uma grande diferença, sem dúvida. O importante é as pessoas lembrarem que não basta ser um aparelho bonito, ele precisa ter um bom desempenho e não deixar o consumidor na mão na hora em que ele mais precisar do gadget.

As redes sociais também aumentaram a procura por câmeras fotográficas tanto mais modernas como com aspecto retrô. Como vocês observam isso? O que acreditam que possa aparecer no futuro neste setor?
Tamirys: A lomografia (estilo fotográfico com ênfase em câmeras de baixo custo produzidas na União Soviética) voltou com força total nos últimos anos. O estilo vintage conquistou os fãs de fotografia, prova disso são os filtros do próprio Instagram que imitam essas câmeras lomográficas. A paixão pela fotografia – e a mobilidade que ela oferece – parece ter despertado uma curiosidade maior do público para a área. Acredito que o setor deve investir pesado na área mobile de fotografia, mas espero que as câmeras não fiquem esquecidas.
Luiza: a tendência do retrô tem revivido muitas marcas! Eu sou suspeita para falar, tenho uma Rolleiflex original dos anos 1950 que pertenceu ao meu avô e funciona até hoje! Mas vejo muitas opções de customizações em aparelhos modernos com a aparência retrô que tem chamado atenção de muita gente que curte a moda vintage. Além disso, é bacana ver algumas marcas como a Lomo revivendo alguns modelos de câmeras que iam sair de produção e facilitando o acesso aos filmes que estavam em falta em muitas lojas de fotografia. Seria mágico demais se futuramente conseguissem fazer câmeras retrôs com esqueleto digital, mantendo a lente e a aparência da original, mas com as facilidades de hoje em dia!

Na opinião de vocês, quais gadgets são essenciais para uma garota geek antenada?
Luiza: Minha lista consiste em um smartphone com acesso a todas as redes sociais, um iPad e uma câmera digital boa! Assim não perco nenhum clique, nem deixo de compartilhar nada e ainda tenho a capacidade de jogar no tempo livre.
Tamirys: Um smartphone é essencial para qualquer garota geek. É lá que você vai conseguir checar seus e-mails, responder as mensagens dos amigos, checar os compromissos da sua agenda, compartilhar as fotos de onde você está e até matar o tempo jogando alguma coisa enquanto estiver voltando para casa. Seja Android, iPhone ou Windows Phone, cada usuário deve descobrir com qual plataforma se identifica mais e aproveitar o melhor dos recursos que ela pode oferecer para facilitar (e agilizar) as tarefas do dia a dia.